
Muito prazer, me chamo Carolina, e sou costureira há mais de 15 anos. Por muito tempo, costurei e vendi peças de roupas e acessórios em bazares, lojas e internet pelo Brasil todo, com a minha marca Amélie Franz. Minha formação é permeada pela arte, moda e educação: tenho licenciatura em Artes Visuais e especialização em Estudos Culturais na Educação ambos pela UFRGS, sou tecnóloga em Design de Moda (UniCesumar), especialista em Modelagem do Vestuário (Feevale) e atualmente mestranda em Educação pela UFRGS. Já fui professora de artes de escola básica, mas foi a partir de 2018, com convites para ministrar oficinas de estampa, que consegui juntar a docência à minha paixão, que é a costura, tornando-me professora de costura e modelagem. São muitos anos na costura com experiência na confecção desde pequenos acessórios como estojos a calças jeans e casacos de lã. Acompanhe mais do meu trabalho na galeria do meu Instagram (@costurandomundo)
Abaixo, permita-me contar um pouco mais sobre a minha trajetória e forte relação com a costura e a moda:
Minha vida sempre foi movida por arte. Tive uma infância permeada pela paixão por desenhar e uma adolescência bastante criativa impulsionada por um espírito empreendedor, na qual fazia e vendia bijuterias para minhas colegas e professoras, que logo depois, passei a costurar à mão e depois à máquina.
Na costura, ao contrário da maioria das histórias de costureiras, não tive inspiração da família que costurasse. No entanto, através do meu pedido, minha mãe Cristina, foi quem me ensinou a costurar à mão – ela quem me ensinou os primeiros passos, ou melhor, pontos.
Foi por volta dos 14 anos, que pedi de presente uma máquina de costura ao meu pai e aos poucos, fui aprendendo sozinha a manuseá-la. Eu era muito curiosa e persistente, pois toda hora o ponto estragava, e achava que a máquina estava desregulada. Hoje percebo que era eu que não sabia manejar a máquina, e aquele ditado “é errando que se aprende” fez tanto sentido (porque naquela época ainda não existia YouTube e entrava na internet discada somente depois da meia-noite). Foi através dos erros, e principalmente da paciência e da persistência, que não desisti de costurar e hoje eu mesma limpo, lubrifico e até mesmo conserto as minhas próprias máquinas!
Depois do aprendizado, comecei a costurar algumas coisas para mim, e naquele tempo, não sabia nem da existência da modelagem: tão importante para a confecção de peças! Foi por essa época que comecei a me interessar por moda, e criei um blog chamado “Oficina de Moda“. Por lá, divulgava notícias que me interessava sobre o universo da moda, e arrisquei colocar algumas fotos de bolsas que estava fazendo. Foi então que começaram a vir os pedidos de diversos lugares do Brasil… que decidi criar uma bonequinha, dar o nome de Amélie e fazer outro blog para divulgar as minhas criações. O desenho do rosto da bonequinha foi inspirado na minha mãe quando criança, e quem me ajudou a dar vida digital ao desenho e site foi o meu irmão, Carlos Eduardo.
Logo quando me formei no Ensino Médio, em 2007, não tive dúvidas em escolher o curso de Design de Moda, em que passei na UniRitter de Porto Alegre, fazendo parte de uma das primeiras turmas de moda. Mas só havendo universidade privada, era muito difícil pagar todas as disciplinas do curso. Foi durante essa época, já me desafiando na costura e vendendo pra vários lugares do Brasil, é que resolvi finalmente aperfeiçoar as minhas técnicas em costura e aprender modelagem na EsKola de Costura para Moda da prof. mestre Kátia Costa. Ela foi a minha primeira professora de costura e modelagem, a mais querida e atenciosa, e continua sendo uma das minhas grandes inspirações. Serei eternamente grata! ❤
Após dois anos e meio de faculdade de moda, resolvi trancar o curso, tanto por questão financeira, quanto por incompatibilidade da minha visão de moda. Eu não me enxergava naquele mundo “glamuroso” que a faculdade criava. Mas tudo tem um lado bom: a faculdade me proporcionou realizar o estágio de moda, na querida e saudosa loja Jumajô. Devo à Virginia, proprietária da loja, por grandes ensinamentos e conselhos, dentre eles, de me questionar a tentar a universidade federal. Foi na Jumajô que também aprendi sobre produção de marca e modelagem, com mais outras duas mulheres queridas: a Magali e a Milena Lenz.
Pois então em 2011, entrei na universidade federal no curso de licenciatura em Artes Visuais, onde me apaixonei pela educação. Certa da escolha da profissão, mas sempre costurando em paralelo com a Amélie Franz. Meu tema de conclusão de curso não podia ser outro: A linguagem da moda na arte e na educação. Realizei uma pesquisa buscando alinhavar reflexões da cultura visual e seus reflexos na escola. Ocorrendo em concomitância à observação e prática do meu Estágio Obrigatório Curricular, refleti acerca do papel da moda e da cultura visual dentro da escola e de como o sistema da moda se manifesta na conduta escolar, investigando os discursos que os jovens desenvolvem dentro deste ambiente, analisando as identidades e experiências dos alunos. Durante a faculdade, também participei da XIV maratona de empreendedorismo da UFRGS, sendo uma das 10 finalistas com meu plano de negócios.
Depois de formada, e já trabalhando como professora de artes, envolta pela área da docência, resolvo me especializar em Estudos Culturais na Educação e realizo um trabalho de conclusão também relacionado ao tema da moda, fazendo uma análise sobre a personagem Eleven, da série Stranger Things, relacionando aspectos do seu figurino (das roupas) com questões de gênero e identidade. É a moda costurando reflexões, frequentemente presente em minha vida.
Durante o período de 2017 a 2018 me encontrava repleta de dúvidas em relação à minha profissão. Questionava-me sobre ser professora de artes, se era o que realmente queria, e sobre continuar com a minha pequena empresa de costura, que andava apagada devido à rotina escolar. Curiosamente neste período, acabei sendo convidada para realizar oficinas, e foi então que ministrei uma aula de estamparia pra uma escola de Canoas, e outra na Fundação O Pão dos Pobres. Aqui agradeço imensamente o convite de mais duas mulheres maravilhosas: Maree Leonhart e Karen Castanho. ❤
No final de novembro de 2018, parti para uma viagem de 3 meses, carinhosamente chamada de “cosTouRístico” (juntando duas paixões: costuras e viagens), na qual pesquisei e visitei lojas de tecidos, ateliês e feiras por algumas cidades de Portugal e Alemanha. Pude conhecer muitos lugares especiais e pessoas incríveis! Durante o trajeto, em uma das andanças por lojas de tecidos, descobri o projeto Dress a Girl Around the World, do qual tive a fabulosa experiência de trabalhar como voluntária costurando vestidos para doação às meninas carentes. Também ajudei a criar e ministrar junto ao coletivo Las Piteadas, uma oficina de costura upcyling no Uprising Weekends, na Zona Franca dos Anjos, em Lisboa. Lá, reaproveitamos peças inutilizadas, paradas no guarda-roupa, criando bolsas com estampas de temática feminista. Foi muito “fixe”, como dizem os portugueses!
Minha ideia inicial era continuar em Portugal, mas estando lá, participei de uma entrevista e fui selecionada para trabalhar na Fundação O Pão dos Pobres, em Porto Alegre. Dia 20 de fevereiro de 2019 retornei ao Brasil e no dia seguinte, me tornei instrutora de Corte, Costura e Modelagem Sustentável, do Centro de Educação Profissional, onde instruí turmas de jovens aprendizes de 14 a 24 anos ao ofício de cortar, modelar e costurar roupas e acessórios, com foco na sustentabilidade. Ou seja, além de gerar renda para ajudar os aprendizes e suas famílias, contribuía na economia local, e ajudava a fomentar a sustentabilidade, reaproveitando materiais e incentivando um consumo mais consciente.
Procurando me especializar ainda mais, no ano de 2020 me inscrevo na especialização em Modelagem do Vestuário, da Universidade Feevale, e também me matriculo no curso de Tecnologia do Design de Moda, da UniCesumar, para finalmente concluir e ter diplomas na área que tanto me desperta: a moda.
Atualmente, me dedico às aulas particulares e virtuais em meu ateliê no centro da cidade, como educadora popular em projetos sociais no IFRS e aos estudos do meu mestrado em Educação, pesquisando, é claro, sobre costureiras. Também sou ativista por uma moda mais plural, justa e consciente. Ativista por uma moda mais plural, justa e consciente, eu AMO esse vasto mundo da costura, e meu objetivo é mostrar a paixão que sinto, transmitindo meus conhecimentos adquiridos em anos de experiência, em aulas leves, práticas e utilitárias pra você futuramente alçar lindos voos “costurísticos” por aí. Venha comigo que eu te ajudo a percorrer esse vasto e incrível mundo da costura!
Embarque nesse percurso comigo me acompanhando nas redes sociais.
Um fortíssimo abraço, Carol.